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Entrevista com Marcos Hashimoto, referência em Empreendedorismo.
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009







Muito se fala sobre empreendedorismo nos dias de hoje.

 

O próprio Blog do Ohannes já escreveu um post sobre isso (veja post de 06/12/07).

 

Para ir mais a fundo, o Blog do Ohannes resolveu inovar e inaugura as entrevistas com personalidades que tem muito a dizer aos Junior Managers e a todos os profissionais do Brasil.

 

O entrevistado deste post é Marcos Hashimoto*, um dos personagens mais renomados no Brasil quando se trata de empreendedorismo.

 

Nascido em São Paulo (SP) e com apenas 45 anos, este tecnólogo logo mudou de área, deixou o sedutor mundo financeiro e resolveu auxiliar profissionais com vontade extrema de vencer!

 

Marcos dispara: “Não existe almoço grátis”; para ser empreendedor, tem que se assumir riscos, fazer algo diferente e que traga benefícios efetivos!

 

Acompanhe este delicioso bate-papo, somente no Blog do Ohannes.

Divirta-se!

 

Blog do Ohannes:

Marcos, qual foi seu primeiro emprego e quantos anos você tinha?

 

Marcos Hashimoto:

Foi aos 14 anos; contínuo no Bradesco;

 

B.D.O:

Começou cedo, isso é muito bom! E quais outros empregos você teve e no que eles te marcaram?

 

M.H:

Trabalhei na Cargill de 83 à 95, entrei como estagiário e saí como Coordenador do Centro de Desenvolvimento, na área de T.I; passei pelo Citibank entre 95 e 2000 na área de Electronic Delivery para a América Latina. Neste período eu fiz o meu MBA e descobri a área acadêmica, foi também onde participei de uma competição internacional de planos de negócios e fiquei em 3º lugar na classificação geral e despertei para o empreendedorismo. Daí foi um pulo deixar o banco, abrir minha consultoria, dar aulas na faculdade e escrever meu primeiro livro ‘Espírito Empreendedor nas Organizações’.

 

B.D.O:

Ser 3º. Lugar nesta competição internacional chamou a atenção de alguma empresa?

 

M.H:

Quando voltei da competição, o Sebrae-SP, sabendo do meu desempenho e do meu background em tecnologia, me convidou para escrever o software de planos de negócios, o SP Plan. A partir daí se tornou interessante dar consultoria em planos de negócios para empresas e iniciar a carreira acadêmica.

 

B.D.O:

Podemos dizer que empreender é ter fé, acreditar, é pensar na frente e criar caminhos para a realização de algo novo ou algo diferente e que traga vantagens? Como você define o empreendedorismo?

 



M.H:

Acho que é tudo isso também; eu diria que empreendedorismo é realizar algo diferente, mas que tenha valor ou traga benefícios para alguém e que a disposição de fazer algo diferente implique também em assumir os riscos de não dar certo, com independência e autonomia.

 

B.D.O:

Você concorda em dizer que a cabeça de um empreendedor-nato sempre pensa em como ganhar mais dinheiro que os juros que o banco paga? O que ronda o cérebro de um empreendedor?

 

M.H:

Eu não fecharia o foco em dinheiro. Muitos empreendedores querem realizar um sonho, querem superar um desafio, querem criar valor. O dinheiro é conseqüência destas realizações principais.

 

B.D.O:

Várias pessoas dizem que a carteira assinada é coisa do passado e que devemos pensar em nós mesmos como pessoas jurídicas. Isto já é uma realidade no Brasil?

 

M.H:

Ainda não e nunca será. Sempre existirão pessoas que atribuem mais valor à carteira assinada, se apegam a uma pretensa ‘segurança’ do emprego e querem ser dirigidas ao invés de exercerem a liberdade de decisão.

 

B.D.O:

O que precisa ser estudado quando se pensa em abrir um negócio próprio?

 

M.H:

Muitas coisas; em primeiro lugar, é preciso achar algo que você tenha paixão, goste de fazer, se distraia e se entretenha com esta atividade. Mas isso só não basta, porque aí seria um hobby. É preciso que você também tenha competência para fazê-lo, se dedique em aprender a fazê-lo bem. Por último é preciso que alguém atribua valor a isso que você faz bem, que alguém pague por isso e que o volume de pessoas que te paguem por isso seja grande o suficiente para justificar a abertura de um negócio.

 

B.D.O:

E dentro deste cenário, o brasileiro sabe aproveitar as oportunidades de nosso mercado como um todo?

 

M.H:

Aproveitar ele até sabe; o que ele ainda não sabe é perceber estas oportunidades quando elas acontecem. Ainda estamos tão presos a paradigmas e idéias pré-concebidas que as oportunidades passam o tempo todo pela nossa frente e não nos damos conta delas.

 



B.D.O:

Quais os recursos disponíveis no governo ou em instituições privadas que o empreendedor pode buscar apoio?

 

M.H:

Existem várias fontes; não dá para mencioná-las todas aqui, mas o Sebrae pode indicar quais são estas principais fontes. Posso dizer apenas que as fontes privadas estão crescendo no Brasil e podem se tornar um caminho muito interessante de captação de investimento em um futuro próximo.

 

B.D.O:

Qual é o grande vilão do Empreendedorismo no Brasil: carga tributária alta, falta de financiamento ou falta de planejamento?

 

M.H:

Os três são grandes vilões, só que com a falta de planejamento o empreendedor pode lidar, só depende dele resolver este problema. Já carga tributária é um grande problema, mas é um problema global, ou seja, impacta a todos e não diferencia ninguém. O acesso ao capital também é um grande problema, mas está melhorando ao longo dos últimos anos.

 

B.D.O:

O empreendedor sofre preconceito?

 





M.H:

Sim, muito; ainda existe na cultura uma idéia de que quem resolve empreender é porque não deu certo na carreira executiva. Já vi muitos empreendedores recomendarem os próprios filhos a seguir a carreira executiva porque ser empreendedor é muito sofrido. O problema é que a maior parte do empreendedorismo no Brasil ainda é por necessidade, ou seja, o empreendedor não queria empreender, só resolveu empreender porque não tinha outra alternativa. Por isso a imagem é muito negativa ainda.

 

B.D.O:

O que você diria aos profissionais que trabalham em empresas e querem ser empreendedores? Como conciliar o dia a dia corporativo com os estudos sobre o negócio a ser empreendido?

 

M.H:

Não existe almoço grátis. É a dura realidade, mas ainda é uma opção melhor minimizar riscos com um emprego que dá alguma segurança do que partir totalmente para a incerteza do negócio próprio, abandonando o emprego.

 

B.D.O:

Gostei do “não existe almoço grátis”. Indo nessa linha, quais as características que o empreendedor deve ter?

 

M.H:

É difícil responder esta pergunta por que as características principais dependem do tipo do negócio. Capacidade de comunicação, planejamento, liderança, ousadia, avaliar riscos, gerir pessoas, negociação, esta lista não termina nunca e jamais vamos encontrar um empreendedor que reúna todas estas características. Depende da circunstância e do negócio.

 

B.D.O:

Qual o cenário e tendência para os próximos anos, em se tratando de empreendedorismo?

 

M.H:

Acho que empreendedorismo vai crescer bastante ainda. As pessoas estão descobrindo a viabilidade desta opção de carreira. Governos estão se dando conta da importância do estímulo às pequenas e médias empresas para o desenvolvimento econômico, a sociedade vai criar cada vez menos preconceito aos empreendedores, muitas forças levam ao estímulo do empreendedorismo.

 

B.D.O:

Qual a agenda do empreendedorismo no Brasil e no exterior?

 

M.H:

No Brasil existe a Semana Global de Empreendedorismo, encabeçada pela Endeavor; existem também os eventos promovidos pelo Sebrae e outras iniciativas similares promovidas por entidades que fomentam as PMEs (pequenas e médias empresas). No exterior existe a Global Entrepreneurship Week e vários eventos acadêmicos voltados para o estudo de pequenas e médias empresas.

 

B.D.O:

Eu te conheci numa reunião de negócios no Ibmec, sobre meu projeto de TV. Como surgiu o IBMEC em sua vida?

 

M.H:

Na época eu atuava no Centro de Empreendedorismo da FGV e dava aulas na Business School São Paulo. Quando lancei o meu livro, conheci o diretor acadêmico do Ibmec São Paulo que me apresentou ao Cláudio Haddad, presidente da escola. Ele falou que precisava de alguém para se dedicar integralmente ao Centro de Empreendedorismo e me convidou para assumir o desafio.

 

B.D.O:

Muito legal este bate-papo Marcos. Quem quiser saber mais sobre você e sobre Empreendedorimo deve acessar quais endereços?

 

M.H:

Existem vários; cito o site da Del.icio.us, através do link http://delicious.com/cempibmecsp, o Sebrae, a Endeavor, a Anprotec, o Ciatec, a Inova, o Empreenda, entre  outros.

 

B.D.O:

Marcos, o Blog do Ohannes agradece seu tempo e dedicação em participar desta coluna inédita. Desejamos a você a continuidade de seu sucesso e que seu segundo livro, Lições de Empreendedorismo, faça também bastante sucesso!

 

M.H:

Obrigado Ohannes, foi um grande prazer participar do seu blog. Fique atento porque estamos reformulando o site do nosso Centro de Empreendedorismo e eu terei um blog lá também. Vamos trocar figurinhas! Grande abraço!

 

Obs.:

As perguntas direcionadas ao Marcos serão respondidas no próprio Blog.

 

 

*Marcos Hashimoto é doutorando em Administração pela EAESP/FGV, sócio-diretor da 
Lebre Consulting, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Ibmec São Paulo,
professor visitante da Universidade do Texas em San Antonio.

Foi
executivo no Citibank e na Cargill Agrícola.
 
Marcos é um dos autores do software de Plano de Negócios SP Plan, da parceria 
Sebrae-SP/Fiesp, parceiro do Instituto Chiavenato e do Instituto Empreender Endeavor.
 

Durante muito tempo, Marcos foi colunista para o site da revista Você S/A, e

screvendo sobre ”Empreendedorismo”.

 
É também autor dos livros “Espírito Empreendedor nas Organizações” e 
“Lições de Empreendedorismo”.
 

 

 



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